2 de abril de 2010

Vindas da lascividade,
as piranhas vibram com a possibilidade
de um brilho obscuro noturno,
que faça clara a existência promíscua.
No vazio das noites em que durmo,
no frio de uma cama branca.
Nos sonhos sou soberano, na soberba da falha nociva.
Falha essa que corrói tudo
minhas vísceras, minha pele, meu sangue.
Penso que se a vida fosse sonho
poderia ser tudo o que quisesse.
Até que todo querer tornasse tudo enfadonho
e a falta do bem querer tornasse a vida estanque.
Como a vida de bichos pequenos, de vermes,
que dura um dia, uma noite, e isso é tudo!
Tudo é nada!
Como se diz em uma histrionia teatral:
o que há de mais belo na vida é olhar pro nada e enxergar tudo,
e vice-versa.
Da mesma forma com a morte, diz uma velha conversa:
que enquanto não é vivida, não se vive de verdade,
porque enquanto a morte não chega, não se sabe o fim da vida
e é só na hora dela que os olhos vêem o que antes não via.
Como sonhos que só nesta hora se tornam claros
revelando verdades que agora fazem sentido.
Tornando depressivos os momentos finais;
Já que agora já se viveu tudo de bom e ruim
que a vida tem a oferecer.
Embora todas as coisas acabem por perecer,
a beleza fica no fim do caminho.
Onde tudo claro se possa ver, verdade que se vê sozinho.
Apagam-se as luzes das pálpebras
e as oportunidades vão aparecer.

André Guarany
Daniel Carvalho

Piauí
02/12/2009

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